Entrevista: Projeto NOVAPACK pretende transformar subprodutos agrícolas em embalagens que prolongam a vida dos alimentos
O grupo de Bioativos & Bioproductos do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa coordena um projeto que procura desenvolver soluções inovadoras de embalagem com propriedades bioativas, extraídas de subprodutos vegetais produzidos na zona do mediterrâneo. O projeto NOVAPACK, reúne oito parceiros de quatro países mediterrânicos – Portugal, Espanha, Tunísia e Egito – regiões particularmente afetadas pelo desperdício alimentar, escassez de água e alterações climáticas. Em entrevista à Green Savers, Manuela Pintado, docente e investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, revela que resultados concretos foram alcançados e que impacto poderão ter estas soluções no setor agroalimentar.
No primeiro ano, os investigadores identificaram extratos naturais com forte atividade antimicrobiana e antioxidante, juntamente com polímeros como pectina, celulose e lignina, que estão a ser incorporados em revestimentos e filmes biodegradáveis. Alguns extratos até podem funcionar como sensores do estado dos alimentos, abrindo caminho a embalagens multifuncionais que protegem, informam e prolongam a frescura dos produtos.
Para a investigadora, estas inovações representam uma oportunidade única de reduzir plásticos, aproveitar subprodutos locais e criar cadeias alimentares mais sustentáveis e resilientes na região mediterrânica. O NOVAPACK pretende assim não só proteger o ambiente, mas também aumentar a competitividade dos produtores, reduzir perdas pós-colheita e promover uma economia circular real e aplicada.
